Agosto de 2015

A Primeira Viagem da Mala Roxa

Enfim casados! Escolhemos como destino um dos maiores Estados do nosso país, para passarmos 10 dias conhecendo algumas de suas regiões famosas pelas belezas naturais. O roteiro ficou dividido em quatro regiões, que vamos descrever separadamente e com detalhes! E lá fomos nós, levando a minha mala roxa em sua primeira viagem!

Tudo isso aconteceu em agosto de 2015. Começamos, é claro, pela capital da Bahia, Salvador, onde desembarcamos depois de rápidas duas horas de vôo partindo do aeroporto do Galeão. Todo mundo dizia que seria perda de tempo passar alguns dias lá, porque não tinha nada de mais e a cidade era muito perigosa. Mas como assim, você vai à Bahia e deixa de lado tamanha importância histórica e turística como a que tem Salvador? Afinal de contas, a capital é um ícone entre os brasileiros, referência de alegria, diversão, música e é de lá que sai tanto da nossa cultura conhecida internacionalmente. É claro que fomos até lá e nesse post vamos contar tudo pra vocês.

Chegamos em uma quarta-feira pela manhã e fomos fazer o check-in no hotel. Ficamos hospedados no Ibis Rio Vermelho, a cerca de 20 minutos do centro histórico de táxi e localizado no bairro Rio Vermelho, mais conhecido pelo agito noturno de bares e restaurantes, que foi o que nos atraiu.

O ponto de partida foi o centro histórico. Descemos do táxi na entrada do Mercado Modelo e logo fomos abordados por vários vendedores ambulantes. Quando você chega com cara de turista, já amarram uma fitinha do Senhor do Bonfim no seu pulso e oferecem todo tipo de artesanato manual para compra. Então lá vai a dica: não salte do táxi bem ali na porta (rs). Entramos no mercado e demos uma volta por lá. São milhares de barracas com artigos dos mais diversos, artesanato local, roupas, comida e bebida.

Almoçamos no segundo andar, onde ficam os restaurantes Maria de São Pedro e Camafeu de Oxóssi, um do lado do outro. Sentamos na varanda do Camafeu de Oxóssi e pedimos uma carne de sol, com acompanhamentos e bebidas, que saiu por R$63,90, ótimo preço pela qualidade e vista agradável. Deixamos as compras para o último dia, mas já nos interessamos por algumas coisas, e fomos passear mais.

A alguns passos está o Elevador Lacerda, o primeiro elevador urbano do mundo, que foi idealizado pelo empresário Antônio de Lacerda, de quem leva o sobrenome, construído com ajuda de seu irmão e financiado por seu pai. Quando foi inaugurado, em 1873, era o mais alto do mundo, com 63 metros (hoje tem 72 metros e já passou por 4 reformas). O elevador liga a praça Cairu, na Cidade Baixa, bem atrás do mercado, à praça Tomé de Souza, na Cidade Alta, chegando a transportar 900 mil passageiros por mês e custa 15 centavos. Subimos nele e saímos bem em frente a três outros prédios: a Prefeitura de Salvador, a Câmara Municipal e o Palácio Rio Branco. Rapidamente somos abordados novamente e, desta vez, o ambulante até que estava bem informado e nos passou dados de cada um deles falando tão rápido que foi difícil até assimilar.

Enfim continuamos a caminhada e já estávamos no Pelourinho, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, tombado pela Unesco em 1985. A palavra pelourinho se refere a uma coluna de pedra, localizada normalmente no centro de uma praça, onde criminosos eram expostos e castigados. No Brasil Colônia se castigavam ali os escravos.

Apesar de seu histórico de sofrimento, o bairro do Pelourinho é hoje símbolo da efervescência cultural de alegria da Bahia. Atrai artistas de todos os gêneros como cinema, pintura e música (quem é que não se lembra da visita do cantor Michael Jackson, que ficou eternizada pela sua foto em tamanho real colocada na sacada do sobrado onde dançou e gravou seu clipe?).

Tem bares, lojas, restaurantes, escolas e centros culturais como a Casa de Jorge Amado e a sede do grupo Olodum. São muitas e muitas ruazinhas com igrejas, casario colorido e becos que dão vontade de se descobrir, porém foi ali que nos recomendaram não ficar até depois de anoitecer, pois realmente poderia ser mais arriscado. Encontrei uma baiana vendendo cuscuz, peguei logo meu doce e fui fazer meu lanchinho de volta no hotel. Não lembro quanto pagamos, mas foi muito barato e estava delicioso. Como estávamos um pouco cansados ainda da viagem, resolvemos jantar no hotel mesmo esta noite.

O segundo dia começou cedo, pois queríamos conhecer a região da Barra. Encontramos o taxista que nos trouxe do aeroporto e fechamos com ele por R$100,00 uma volta pela cidade. Importante lembrar: quando chegamos a Salvador pegamos esse táxi de cooperativa e, como o aeroporto é distante eles informam que o preço é fechado, na época, até o Rio Vermelho, custou R$114,00. Mas a cidade também dispõe de muitas linhas de ônibus, com certeza não é difícil andar, no entanto nosso intuito era poupar tempo e conhecer o máximo que pudéssemos, então valeu a pena.

Nosso tour passou pelo Dique do Tororó, uma lagoa onde estão oito esculturas de orixás flutuando no espelho d´água, que à noite ficam iluminadas. Ao seu lado está o estádio Itaipava Arena Fonte Nova, que foi reconstruído para sediar jogos da Copa do Mundo em 2014.

Depois fomos até a Colina do Bonfim, onde se situa a Igreja do Senhor do Bonfim, mundialmente conhecida pelas fitinhas coloridas. Com sua fachada em estilo rococó, coberta por azulejos portugueses do século XIX, a igreja é o maior centro da fé católica para os baianos, pois abriga seu santo padroeiro e ainda é símbolo do sincretismo religioso da Bahia. Sua construção foi concluída em 1772 e a partir de 1773 se iniciou a Lavagem do Bonfim, comemoração onde as baianas jogam água de cheiro nos degraus acompanhadas de blocos de afoxé. A festa dura o dia inteiro e começa com uma procissão que vem desde a igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. A visitação é gratuita e há realização de missas todos os dias. A tradição das fitas do Senhor do Bonfim tem mais de 200 anos. Começou com o tesoureiro da irmandade que tinha o hábito de usar uma fita que, originalmente, tinha a medida do comprimento do braço direito da imagem do santo (47 cm). No início era usada no pescoço como um colar, com medalhas e santinhos; não se sabe ao certo quando passou a ser usada amarrada ao pulso. Hoje a tradição é se receber de presente de alguém, amarrá-la no braço, fazendo três nós e um pedido em cada um deles. Acredita-se que, ao romper a fita, os desejos serão realizados. Os fiéis também amarram as fitas nas grades da igreja fazendo pedidos; e não só na Igreja do Bonfim, como na maioria das igrejas da Bahia é possível encontrá-las. Nós não perdemos tempo e amarramos nossas fitinhas também.

De lá fomos até o Forte Mont Serrat (foto abaixo), na ponta da praia de Boa Viagem. Também conhecido como Forte São Felipe, ele tem localização privilegiada, o que garante uma bela vista. Sua obra foi concluída no ano de 1742 e serviu como fortaleza de defesa das terras da Bahia durante vários ataques, incluindo a Sabinada (1837-1838) quando foi ocupada pelos revoltosos. Hoje reformado e administrado pelo exército brasileiro, abriga, desde 1993, o Museu da Armaria, que tem expostas diversas armas de fogo e canhões. Aparentemente o forte estava fechado, então fizemos algumas fotos e fomos para o nosso destino final, o Farol da Barra.

O Farol da Barra ou Farol de Santo Antônio, construído em 1698 e considerado o mais antigo das Américas, é um dos pontos turísticos e históricos mais visitados de Salvador, recebendo mais de 2 milhões de pessoas todos os anos. Tem 22m de altura, o equivalente a um prédio de 7 andares, e conta com maquinário francês de 120 anos, que liga no pôr do sol e desliga ao amanhecer, ainda servindo de orientação para as embarcações, pois sua luz pode ser vista a 60km de distância.

Do alto de sua torre se pode ter uma vista em 360 graus da baía de Todos os Santos e o Oceano Atlântico. O farol foi aberto à visitação em 2011, você pode entrar e subir até a torre por uma escada caracol e além dele existe também o Museu Náutico da Bahia, que tem um belo acervo de peças antigas e miniaturas de navios; as visitas acontecem de terça a domingo, das 8h às 19h e pagamos R$30,00 os dois.

A região da Barra vale também uma caminhada pela orla, imaginando o agito que por ali passa durante o Carnaval. Paramos para almoçar no restaurante Caranguejo Sergipe, e dessa vez pedimos bobó de camarão e camarão ao catupiry. Os dois pratos, mais as bebidas, saíram a R$81,29. À noite saímos a pé para experimentar o famoso acarajé da Dinha, no Largo de Santana, no Rio Vermelho mesmo, pertinho do hotel, onde estão os bares que falamos antes. Dinha foi a primeira baiana de acarajé a ganhar fama na cidade. Depois que ela faleceu, as mulheres da família continuaram com o negócio. As mesas espalhadas pelo Largo de Santana ficam lotadas.

Geralmente, elas abrem o tabuleiro a partir das 14 horas, todos os dias. A praça estava em obras nesta época, pois a orla estava sendo reformada, mas mesmo assim foi tranquilo andar de noite, pois estava bem movimentado. Nunca tínhamos comido acarajé, prato típico baiano, de origem africana, feito com massa a base de feijão fradinho e temperos, frito na panela com azeite de dendê fervente. O bolinho é recheado com vatapá, caruru, camarão seco, tomate e pimenta e custou cerca de R$8,00. Nos indicaram provar primeiro no prato, onde ele vem todo separado, mas não foi uma boa ideia. Não gostamos muito de primeira, mas calma, depois comemos de novo (em Morro de São Paulo), ele todinho montado e quentinho e achamos uma delícia!

Nossa noite terminou no Boteco do França, a mais alguns passos dali, completando a refeição com um suculento escondidinho de camarão e alguns drinks para comemorar, que saíram um total de R$97,35.Na sexta-feira saímos do hotel direto para o restaurante que uma amiga nos indicou e realmente foi nosso preferido em Salvador. Por volta de meio dia chegamos à Bahia Marina, pois o catamarã para o próximo destino saia às 14h.

Almoçamos no restaurante Soho, especializado em comida japonesa, que divide o complexo da marina com outros restaurantes e tem uma vista incrível! O almoço todo, com alguns pratos, bebidas (tomei caipirinhas e ele cerveja) e um mix de sobremesas saiu por R$262,00.

Não foi barato, mas pra quem curte comida japonesa e um local descolado vale muito a pena. De lá embarcamos para a segunda parte da viagem, que contamos no próximo post! Aguardem! (rs).