Junho de 2016

Roteiro de 3 dias

Nossa primeira ida à capital da Argentina começou com uma super promoção de passagens. E quem é que não gosta e fica louco pra aproveitar??

No mês seguinte já estaríamos embarcando e começamos a nos preparar para passar um fim de semana inesquecível na terra dos portenhos. Teríamos apenas 3 dias para aproveitar tudo que pudéssemos e tentamos encaixar tudo que queríamos fazer, mas, é claro, ainda tem muita coisa pra fazer por lá na próxima vez… rs

Sexta-feira : nossa chegada

Acho que sexta-feira foi o dia mais corrido, porque reservamos o sábado para visitar o zoológico de Luján (mais distante) e domingo já teríamos que embarcar de volta ao Rio. Então se prepara para acompanhar nossa aventura.

Conseguimos vôos diretos e às 9h35 já estávamos em Buenos Aires. Após uma rápida passada em nosso hotel, para fazer o check-in, caminhamos até o Café Tortoni, que ficava do outro lado da rua, para tomar um café da manhã reforçado e começar os trabalhos!

Ficamos hospedados no La Fresque Hotel, localizado na Av. de Mayo, 984, esquina com a Av. 9 de Julio, localização quase que estratégica pra quem deseja conhecer e passear pelo Centro com facilidade. As duas avenidas são conhecidas e movimentadas e na esquina existe uma estação do metrô. Fizemos quase tudo a pé e de táxi, mas sabemos que andar de metrô por Buenos Aires é bem fácil e barato.

O hotel oferece café da manhã estilo buffet, estacionamento, wi-fi, TV a cabo, ar condicionado e aquecimento e dispõe de um pequeno museu, onde são expostas peças antigas, como a da foto. É uma casa antiga e linda, com ares de museu e demolição ao mesmo tempo, e o café da manhã é sensacional, com medialunas (espécie de croissant) fresquinhas toda manhã, salgadas ou doces e acompanhadas do mais tradicional dulce de leche argentino! Delícia!

Nosso quarto era um estúdio com varandinha para a Av. 9 de Julio, lá só não há frigobar como estamos acostumados, e o recepcionista da manhã arranhava um português. As duas diárias custaram 1710 pesos, já com as taxas, o equivalente a R$475,00 (em junho de 2016).

Café Tortoni – Chegamos ao café por volta das 10h e não enfrentamos filas neste horário. Conseguimos uma mesa e pedimos chocolate quente, churros, tostadas com manteiga e uma água e gastamos 215 pesos. Fomos lá com a intenção de comprar ingressos para o tango com antecedência, mas nos informaram que os ingressos eram vendidos apenas à noite.

O local é bem tradicional, diante de seus 158 anos e fica na Av. de Mayo, 825. Era frequentado por pintores, escritores, jornalistas e músicos e até hoje recebe muitos visitantes ilustres, é uma verdadeira viagem cultural. Vale a pena conhecer, mas não vá muito tarde, pois há filas na porta.

De lá, seguimos andando para a Calle Florida, para checar o câmbio local e ver as milhares de lojinhas que existem por lá, além de conhecer as Galerias Pacífico, uma espécie de shopping-arte, com uma linda cúpula no teto. Ao percorrer a Calle (rua) Florida nos sentimos numa Uruguaiana arrumada, com ofertas de câmbio e passeios a cada passo que se dá.

Devidamente ambientados, resolvemos dar um passeio mais longo, para ir conhecendo pontos turísticos que estavam na nossa lista. De táxi fomos até a Praça das Nações Unidas, onde está a escultura da Floralis Genérica, uma estrutura gigante com 23 metros de altura em pétalas de metal prateadas, que se abrem ao amanhecer e se fecham à noite. A Flor metálica foi doada pelo arquiteto argentino Eduardo Catalano em 2002 e a praça fica no bairro da Recoleta. As praças de Buenos Aires são amplas e têm muito verde, notamos que as pessoas realmente descansam e as frequentam, assim como os bosques de Palermo, e há muitos passeadores de cachorro, aliás, acho que os argentinos são tão “cachorreiros” como nós.

Ao lado da Floralis está ainda a Faculdade de Direito, um imponente prédio da década de 40, com colunas na fachada, de autoria dos arquitetos Arturo Ochoa, Ismael Chiapore e Pedro Vivent. Alguns passos mais à frente passamos pelo Malba, o Museu de Arte Latino-americano de Buenos Aires e então chegamos ao Jardim Japonês.

O Jardim Japonês fica no bairro de Palermo e representa um parque típico do Japão, com lagos habitados por carpas coloridas. Abriga também muitas espécies de plantas, incluindo uma árvore sobrevivente do bombardeio atômico, além de uma estufa, um restaurante e uma casa de chá. Tiramos diversas fotos e conhecemos um pouco mais da cultura japonesa. O jardim cobra ingresso de 70 pesos por pessoa.

Já eram três da tarde e estávamos morrendo de fome, então fomos almoçar no La Cabrera, renomado restaurante de parrilla argentina, um dos principais atrativos da cidade através da gastronomia. O La Cabrera fica também em Palermo, na Av. José A. Cabrera, 5099, mas já tem filial no Brasil! (Para quem tiver curiosidade e puder vir ao Rio, desde maio de 2015 também existe um La Cabrera no Barrashopping.)

Pedimos um bife angus corte mariposa, que veio com diversos acompanhamentos e estava delicioso, uma ótima pedida. A carne servia duas pessoas e, além disso, pedimos também um suco e uma cerveja Quilmes, que custaram um total de 702 pesos.

Depois de descansar no hotel, saímos à noite para caminhar até Puerto Madero, uma parte da cidade com arquitetura totalmente diferente, com prédios altíssimos e modernos, logo depois do Rio de la Plata. Hoje um bairro sofisticado e elegante, que concentra o centro financeiro da cidade, Puerto Madero é resultado de uma recente revitalização da área, com ruas que homenageiam as mulheres, assim como a Puente de la Mujer, obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. A ponte gira 90 graus para permitir a passagem dos navios, sua construção levou 12 meses e foi concluída em 2001. O bairro é ainda uma zona com muitos restaurantes famosos, como o Cabaña de las Lilas, Asia de Cuba e Siga la Vaca.

Terminamos a noite comendo pizza numa das pizzarias Kentucky, encontradas em toda esquina, pois tentamos comer na Guerrin, mas estava super lotada, praticamente sem lugar por onde andar lá dentro.

Sábado: passeio ao zoológico e tango

Acordamos bem cedo e tomamos novamente aquele café com medialunas delícia. Foi o único dia que fechamos um passeio com uma equipe de receptivo, a Aguiar. Como o zoológico de Luján fica a cerca de 70 km, preferimos não ir por conta própria dessa vez. Contamos tudo sobre o passeio neste post aqui.

A noite de sábado estava programada para a noite do tango! Entre todas as opções de shows de tango oferecidas em Buenos Aires, preferimos ficar com o espetáculo intimista e tradicional apresentado no Café Tortoni. Compramos os ingressos com certa antecedência, pois a sala é pequena e os lugares são reservados nas mesas. O Show começou às 20h e durou cerca de uma hora, com muita música e apresentação de um casal de dançarinos caracterizados, foi realmente emocionante. É um estilo musical de muito vigor e sentimento. Pagamos 640 pesos só nos ingressos e lá tomamos também uma taça de vinho, acompanhando nossa companheira de mesa canadense que era muito simpática.

A maioria dos shows de tango pode incluir ou não um jantar completo, mas queríamos conhecer mais um restaurante e optamos por ir logo depois pra lá. Jantamos no El Club de la Milanesa, entre as avenidas Callao e Santa Fé.

Podemos dizer que este foi um dos nossos locais preferidos, o restaurante é tão bom que tem mais de dez filiais pela cidade. Os portenhos são realmente apaixonados por milanesa e este restaurante é especializado nelas. Provolone, cebolas, batatas, mas nada que supere o carro chefe da casa: as enormes milanesas com cobertura! Uau! São uma experiência gastronômica daquelas: frango ou carne com várias opções de cobertura e se pode pedir meio a meio, como se fossem pizzas. Pedimos um drink , uma cerveja e nossa milanesa (meia cheddar barbacoa – com ovo e bacon e meia fondue de quesos – mozzarela, parmesão, provolone, blue cheese e brie com chips de cebola). Nem precisa comentar né?!

A conta saiu por 502 pesos. O restaurante tem um clima super descontraído e, apesar da fila, não demoramos muito para conseguir mesa. Foi perfeito para fechar a noite, ainda levei o copo divertido do drink para casa por mais 12 pesos.

Domingo: San Telmo, Boca, Caminito, e volta pra casa

Nosso último dia começou cedo novamente, pra dar tempo de conhecer melhor a Plaza de Mayo, seus prédios históricos, visitar a feirinha de San Telmo e ainda esticar até o bairro de La Boca.

Caminhando desde o hotel La Fresque até a praça eram cerca de 5 minutos. Ali está localizada a Casa Rosada, um ponto obrigatório para aqueles que vão pela primeira vez a Buenos Aires, a sede do governo argentino. As visitas guiadas são gratuitas, das 10h às 18h e precisam apenas ser agendadas com antecedência. Ao seu lado está a Catedral Metropolitana, onde o Papa Francisco celebrava missas antes de se tornar papa.

De lá pegamos a Calle Defensa, por onde você já vai conseguir ver o movimento que se estende até a Plaza Dorrego, onde todos os domingos acontece a feira de San Telmo, das 10h às 17h. A feira em si só tem antiguidades expostas, tradição desde o ano em que se iniciou, 1970. No entanto, barraquinhas com milhares de itens se espalharam ao seu redor e lá é possível encontrar de tudo um pouco, inclusive músicos, dançarinos de tango ao ar livre e barracas de alfajor.

Ali também está a estátua de Mafalda, personagem dos quadrinhos criada pelo cartunista Quino, no ano de 1964. Ela fica sentadinha em um banco na esquina das ruas Defensa e Chile e só não é difícil achá-la em meio à multidão, porque também há uma fila considerável para tirar uma foto ao lado dela.

À tarde pegamos um táxi para o bairro de La Boca, coração do torcedor do Clube Atlético Boca Juniors, onde fica seu famoso estádio. O estádio tour + museu custou 360 pesos para nós dois e incluiu uma visita completa às dependências deste histórico local. As arquibancadas, os vestiários, sua bancada vertical que lhe deu a alcunha de La Bombonera (caixa de bombons) e até o gramado para quem quiser pagar um extra para ter sua foto com a taça libertadores em mãos. Os amantes de futebol não podem deixar de visitá-lo, a guia que nos acompanhou e explicou tudinho em espanhol, português e inglês (sem deixar ninguém com dúvidas!) demonstrava realmente a paixão pelo time, também estampada em cada foto exposta no Museo de la Passion Boquense, com dados históricos e numéricos de campeonatos conquistados e jogadores. Saindo do Boca, demos uma rápida caminhada até o Caminito, a 400 metros dali, uma parte do bairro que ficou conhecida pelas casinhas coloridas pela iniciativa de Benito Quinquela Martin, para dar novos ares ao lado mais pobre da cidade e ali se formou um novo ponto turístico, conhecido como a rua-museu ao ar livre.

Nossa viagem se encerrou num almoço já um tanto tarde, quase às 16h, no restaurante A Los Bifes, em San Telmo, saboreando um suculento bife de chorizo com batatas fritas acompanhado de Quilmes gelada. A conta para dois, carne, batatas, provoleta de entrada e bebidas saiu por 562 pesos.

Nossa ideia inicial era almoçar no La Brigada, mas pelo avançado da hora já o encontramos fechado (a casa fecha às 15h), por isso vai ficar para a próxima, porque com certeza voltaremos a essa terra fria e maravilhosa!! Nos rendemos aos encantos de Buenos Aires, como nossos amigos brasileiros e já guardamos muitas ideias para a próxima viagem à terra do tango e do alfajor!

Aeroportos: são dois aeroportos que servem a Buenos Aires: o aeroporto internacional Ministro Pistarini (Ezeiza), o maior e mais conhecido, porém mais distante, a 35 km da capital de Buenos Aires e o aeroporto Jorge Newbery (ou Aeroparque), bem próximo ao Centro, no bairro de Palermo, porém de porte bem menor. Na verdade o que dificulta a vida dos brasileiros são as taxas argentinas, caríssimas, que quando somadas ao valor das passagens quase que fazem com que dobrem de preço, pois a entrada no país é facilitada pela não exigência de visto ou passaporte.

Considerações sobre os táxis: muita atenção ao pegar táxi em Buenos Aires. Os taxistas são famosos pelos seus golpes. Já tínhamos sido alertados disso, mas infelizmente fomos obrigados a pegar um táxi sem cooperativa na saída do Aeroparque, que custou nada mais nada menos que 315 pesos, o equivalente a R$100,00 numa distância super curta. A volta, pelo mesmo caminho, saiu por 150 pesos. O que eles fazem? Os taxistas adulteram os taxímetros e eles giram numa velocidade elevada, fazendo com que a gente pague mais caro. Por isso, prefira sempre os rádiotaxis e táxis com o nome da cooperativa no carro.

Câmbio: a troca do real pela moeda local, o peso argentino, pode ser feita no próprio aeroporto, pelas agências do Banco de La Nación (foi nossa opção na chegada, mas não trocamos tudo, só uma parte) ou em agências de câmbio, principalmente na Calle Florida, que podem ter cotações melhores que a oficial, porém podem ser menos confiáveis. É importante buscar sempre lojas físicas e não ofertas de pessoas gritando na rua, mas também há lojas que fazem a troca, em suas compras, por exemplo (trocamos uma parte com boa cotação em uma loja de couro dentro de uma galeria no final da Calle Florida domingo, pois poucas coisas estavam abertas e não nos arrependemos, mas fique atento! Os argentinos são tão espertos quanto os brasileiros). Alguns lugares também aceitam diretamente o real, com boa cotação, como a loja da Havanna da Calle Florida.

Comprinhas: peguei algumas dicas na internet antes da viagem e posso dizer que algumas valeram muito a pena! Como fazer compras nos mercados locais: é prático, rápido e mais barato. Próximo ao hotel havia um Carrefour em promoção naquele fim de semana e fizemos a festa nos vinhos, doce de leite e alfajor, levando 4 itens iguais e pagando apenas 2! Super bagatela! Os amigos agradecem as lembranças que trouxemos! Compramos alfajores e havannets na Havanna (de praxe), mas meu coração ficou mesmo foi com os deliciosos alfajores Jorgito. Podem provar!